Se Galiza produz, Galiza deve decidir
A falha de controlo e de regulação imposta pela PAC junto com os movimentos especulativos do capital financeiro sobre os alimentos é a causa da flutuação dos preços dos alimentos e em concreto do leite
A nova PAC para o período 2014-202 representa a nível agrário a versão mais ultra liberal do capitalismo, e em concreto no setor lácteo propõe a eliminação de qualquer tipo de controlo da produção e da regulação dos mercados, por mais insignificante que este for. Isto implica a eliminação dos contingentes à produção, mais conhecidos popularmente como quotas.
A falha de controlo e de regulação imposta pela PAC junto com os movimentos especulativos do capital financeiro sobre os alimentos é a causa da flutuação dos preços dos alimentos e em concreto do leite. Esta falta de regulamentação tem provocado um comportamento de dentes de serra, com profundos vales e pequenos picos. Isto tem-se traduzido em pequenas subas em momentos pontuais e profundas baixadas tanto em quantidade como no tempo.
Este comportamento provocou uma grande crise no setor leiteiro europeu no ano 2009. Crise que levou a que no seio da União Europeia se constituíra ao efeito o que foi denominado como Grupo de Alto Nível (GAN) com o objetivo de elaborar uma série de recomendações para evitar que de novo se produzira uma situação como a vivida naquele ano de 2009.
Pois bem, depois das experiências vividas, e em concreto a da crise de 2009, as pessoas que dirigem a PAC persistem nas mesmas receitas, mas mais carregadas de bombo. A liberação total da produção no setor do leite vai supor que a partires do 1 de abril de 2015 ficam abolidas as quotas. Opta-se por dar liberdade total para produzir o que boamente possa cada quem. Esta nova situação tem levado já a que os 6 grandes produtores de leite da UE (França, Alemanha, Itália, Holanda, Polônia e Reino Unido) acrescentaram já as suas entregas de leite, de tal maneira que a produção total da UE medrou em um 3% a respeito da campanha precedente. Este aumento de entregas já tem as suas primeiras consequências com a baixada do preço do leite. Assim o preço pago, no conjunto da EU, no mês de março deste ano já foi 0,83€/100Qg mais baixo que o mês anterior.
O Estado francês, preocupado como está perante um futuro que se prevê de flutuação e volatilidade nos preços, o passado dia 2 de junho na reunião celebrada em Bruxelas do Comitê Especial de Agricultura, apresentou um documento no que propôs possíveis estratégias para segurar o futuro do setor leiteiro de cara ao horizonte sem quotas.
Chegados a este ponto é bom lembra que a luta das produtoras e dos produtores de leite da Galiza foi uma luta descomunal, que si bem foi uma luta na que não se conseguiu todos os objetivos perseguidos, o que si é certo é que ajudou a colocar ao sector leiteiro galego numa posição destacada dentro do Estado espanhol. Hoje Galiza é a primeira potência produtora de leite de todo o Estado, no que representamos mais de 50 por cento das granjas leiteiras e produzimos mais de 40 por cento do leite.
A proposta defendida, historicamente, pelo sindicalismo agrário nacionalista sempre foi favorável ao controlo da produção, mas a diferença do sistema de quotas que assentava nos direitos históricos e não garantia preços, a nossa proposta passava pelo estabelecimento de uma produção mínima e um preço mínimo. O objetivo que se perseguia era que quem se dedicara à produção de leite tivera assegurada uma renda mínima para poder viver dignamente.
O setor leiteiro na Galiza pese a estar diretamente influenciado pelas condições impostas desde UE, assim como pelo comportamento e decisões que se adotem em outras zonas como a França, estamos em condição de afirmar que tem a sua dinâmica própria, em grande medida condicionada pelos seus déficits estruturais.
Assim o ano 2012 foi um ano no que as granjas galegas padeceram uma grave crise como consequência dos baixo preços o que levou a que se convocaram mobilizações para denunciar desta situação e exigir soluções. Remataram estas, a finais de ano, com um simulacro de acordo entre as organizações agrárias tradicionais, a superestrutura das cooperativas e a Conselharia do Meio Rural e do Mar. Pode-se qualificar o acordo como simulacro, na medida em que alguma das organizações assinantes à semana seguinte de tê-lo avalado já denunciava a sua ineficácia.
O ano 2013 foi um ano de ligeira recuperação, no que tem a ver com os preços, a respeito de 2012, mas na Galiza segue-se a cobrar menos que noutras zonas do Estado espanhol e por debaixo do que se cobra na UE. No mês de maio, deste ano, as empresas que operam na Galiza anunciarão descidas que nalguns casos chegaram aos 5 cêntimos por litro a respeito do mês anterior.
Dadas as nossas especiais caraterísticas, ser a zona do Estado que mais granjas de leite tem e ser também a que mais leite aporta, faz-se imprescindível a intervenção direta da Conselharia do Meio Rural e do Mar, com o fim de a Galiza dispor de uma política leiteira própria e dotada com os meios necessários para lhe fazer fronte ao novo cenário que se presenta a partir do 1 de abril de 2015.
Depois de longos anos de experiências, o setor leiteiro galego, a estas alturas, sabe perfeitamente cales são os instrumentos que se precisam, e estes passam por enfrontar um dos déficits estruturais mais limitante que tem o setor, que não é outro que fator terra e a sua mobilidade, impedindo a plantação das terras agrárias e procedendo a uma ordenação de cultivos, tarefa que lhe corresponde ao governo galego. Outra das grandes eivas que se tem de defrontar tem a ver com o processamento do nosso leite, já que o 80% do mesmo é processado por empresas de fora da Galiza o que repercute diretamente no preço.
Outras medidas passam por o Observatório Lácteo da Galiza, instrumento criado na etapa nacionalista da conselharia, cumpra as funções para as que foi constituído, que não são outras que as de determinar os custes de produção como passo prévio para o estabelecimento de preços justos que remunerem o trabalho das pessoas que trabalham neste setor, assim como a constituição de uma Interprofissional Láctea Galega, como lugar onde chegar a acordos firmes e estáveis entre as partes, contando com a presença da produção, a indústria, a comercialização, o consumo e a administração.
Porque se Galiza produz, e isto não o discute ninguém, Galiza deve poder decidir sobre o que produz, e com isto já não estão de acordo tanto as organizações profissionais agrárias de âmbito estatal, como o próprio governo galego do PP.
A nova PAC para o período 2014-202 representa a nível agrário a versão mais ultra liberal do capitalismo, e em concreto no setor lácteo propõe a eliminação de qualquer tipo de controlo da produção e da regulação dos mercados, por mais insignificante que este for. Isto implica a eliminação dos contingentes à produção, mais conhecidos popularmente como quotas.
A falha de controlo e de regulação imposta pela PAC junto com os movimentos especulativos do capital financeiro sobre os alimentos é a causa da flutuação dos preços dos alimentos e em concreto do leite. Esta falta de regulamentação tem provocado um comportamento de dentes de serra, com profundos vales e pequenos picos. Isto tem-se traduzido em pequenas subas em momentos pontuais e profundas baixadas tanto em quantidade como no tempo.
Este comportamento provocou uma grande crise no setor leiteiro europeu no ano 2009. Crise que levou a que no seio da União Europeia se constituíra ao efeito o que foi denominado como Grupo de Alto Nível (GAN) com o objetivo de elaborar uma série de recomendações para evitar que de novo se produzira uma situação como a vivida naquele ano de 2009.
Pois bem, depois das experiências vividas, e em concreto a da crise de 2009, as pessoas que dirigem a PAC persistem nas mesmas receitas, mas mais carregadas de bombo. A liberação total da produção no setor do leite vai supor que a partires do 1 de abril de 2015 ficam abolidas as quotas. Opta-se por dar liberdade total para produzir o que boamente possa cada quem. Esta nova situação tem levado já a que os 6 grandes produtores de leite da UE (França, Alemanha, Itália, Holanda, Polônia e Reino Unido) acrescentaram já as suas entregas de leite, de tal maneira que a produção total da UE medrou em um 3% a respeito da campanha precedente. Este aumento de entregas já tem as suas primeiras consequências com a baixada do preço do leite. Assim o preço pago, no conjunto da EU, no mês de março deste ano já foi 0,83€/100Qg mais baixo que o mês anterior.
O Estado francês, preocupado como está perante um futuro que se prevê de flutuação e volatilidade nos preços, o passado dia 2 de junho na reunião celebrada em Bruxelas do Comitê Especial de Agricultura, apresentou um documento no que propôs possíveis estratégias para segurar o futuro do setor leiteiro de cara ao horizonte sem quotas.
Chegados a este ponto é bom lembra que a luta das produtoras e dos produtores de leite da Galiza foi uma luta descomunal, que si bem foi uma luta na que não se conseguiu todos os objetivos perseguidos, o que si é certo é que ajudou a colocar ao sector leiteiro galego numa posição destacada dentro do Estado espanhol. Hoje Galiza é a primeira potência produtora de leite de todo o Estado, no que representamos mais de 50 por cento das granjas leiteiras e produzimos mais de 40 por cento do leite.
A proposta defendida, historicamente, pelo sindicalismo agrário nacionalista sempre foi favorável ao controlo da produção, mas a diferença do sistema de quotas que assentava nos direitos históricos e não garantia preços, a nossa proposta passava pelo estabelecimento de uma produção mínima e um preço mínimo. O objetivo que se perseguia era que quem se dedicara à produção de leite tivera assegurada uma renda mínima para poder viver dignamente.
O setor leiteiro na Galiza pese a estar diretamente influenciado pelas condições impostas desde UE, assim como pelo comportamento e decisões que se adotem em outras zonas como a França, estamos em condição de afirmar que tem a sua dinâmica própria, em grande medida condicionada pelos seus déficits estruturais.
Assim o ano 2012 foi um ano no que as granjas galegas padeceram uma grave crise como consequência dos baixo preços o que levou a que se convocaram mobilizações para denunciar desta situação e exigir soluções. Remataram estas, a finais de ano, com um simulacro de acordo entre as organizações agrárias tradicionais, a superestrutura das cooperativas e a Conselharia do Meio Rural e do Mar. Pode-se qualificar o acordo como simulacro, na medida em que alguma das organizações assinantes à semana seguinte de tê-lo avalado já denunciava a sua ineficácia.
O ano 2013 foi um ano de ligeira recuperação, no que tem a ver com os preços, a respeito de 2012, mas na Galiza segue-se a cobrar menos que noutras zonas do Estado espanhol e por debaixo do que se cobra na UE. No mês de maio, deste ano, as empresas que operam na Galiza anunciarão descidas que nalguns casos chegaram aos 5 cêntimos por litro a respeito do mês anterior.
Dadas as nossas especiais caraterísticas, ser a zona do Estado que mais granjas de leite tem e ser também a que mais leite aporta, faz-se imprescindível a intervenção direta da Conselharia do Meio Rural e do Mar, com o fim de a Galiza dispor de uma política leiteira própria e dotada com os meios necessários para lhe fazer fronte ao novo cenário que se presenta a partir do 1 de abril de 2015.
Depois de longos anos de experiências, o setor leiteiro galego, a estas alturas, sabe perfeitamente cales são os instrumentos que se precisam, e estes passam por enfrontar um dos déficits estruturais mais limitante que tem o setor, que não é outro que fator terra e a sua mobilidade, impedindo a plantação das terras agrárias e procedendo a uma ordenação de cultivos, tarefa que lhe corresponde ao governo galego. Outra das grandes eivas que se tem de defrontar tem a ver com o processamento do nosso leite, já que o 80% do mesmo é processado por empresas de fora da Galiza o que repercute diretamente no preço.
Outras medidas passam por o Observatório Lácteo da Galiza, instrumento criado na etapa nacionalista da conselharia, cumpra as funções para as que foi constituído, que não são outras que as de determinar os custes de produção como passo prévio para o estabelecimento de preços justos que remunerem o trabalho das pessoas que trabalham neste setor, assim como a constituição de uma Interprofissional Láctea Galega, como lugar onde chegar a acordos firmes e estáveis entre as partes, contando com a presença da produção, a indústria, a comercialização, o consumo e a administração.
Porque se Galiza produz, e isto não o discute ninguém, Galiza deve poder decidir sobre o que produz, e com isto já não estão de acordo tanto as organizações profissionais agrárias de âmbito estatal, como o próprio governo galego do PP.