Caminho de ferro ao porto exterior de Ferrol

Antes de avaliar as diferentes opçons, quero falar do porto como infra-estructura, da sua localizaçom, necessidade, uso, futuro e conseqüências

Antes de avaliar as diferentes opçons, quero falar do porto como infra-estructura, da sua localizaçom, necessidade, uso, futuro e conseqüências.

Chamar-lhe exterior a um porto construído na mesma boca da ria de Ferrol é algo que nom se corresponde com a realidade. Este porto pecha um 40% da boca da ria, e simples deduzir que a circulaçom da agua do mar está afectada. Há exemplos claros desta afeiçom ao meio marinho desde os castelos cara a fora, é mais complicado determina-las no interior da ria, mas iso nom quere dizer que nom existam. O Porto construi-se aí “por ser necessário”, mas tanta necessidade nom fixo que oito anos depois da sua construçom existam pelejas polo seu uso, mais bem ao contrario. O seu uso que ia liberar os portos interiores nom foi tal, hoje ainda há mercadorias descarregadas no interior da ria, iso já sem falar dos gaseiros que seguem a entrar e sair. O futuro semelha o da economia espanhola, que para o ano que vem todo vai funcionar...As conseqüências no movimento mareal e a circulaçom marinha a longo prazo já se verám, mas nom vam a ajudar á recuperaçom sobrada de contaminaçom e recheios.

Mas o porto está aí, e ainda que alguns nom gostemos del segue a estar, assim que haverá que tratar de que polo menos funcione e libere o interior da ria do tráfego marítimo de mercadorias. Agora bem, para que serve um porto que nom está conectado por estrada (construída há pouco tempo, de só um carril por sentido e a costa de umha desfeita ambiental) e menos ainda sem conectar com os caminhos de ferro.

Há já três anos que praticamente toda a sociedade de Ferrol-terra apresentou alegaçons, incluído a câmara municipal de Ferrol, á alternativa sul das três propostas presentadas por fomento. Delas, a maioritariamente apoiada era a chamada alternativa norte, por ser esta a de menor impacto ambiental e visual das três ao desenvolver-se todo o seu percorrido por túnel. Depois de quase três anos de espera, a resposta do ministério de fomento foi a aguardada, a alternativa sul.

A justificaçom é, que esta era a escolhida, trás uns “malabarismos financeiros”, por ser a mais barata. Mas é realmente assim, ainda no caso de que nos referir estritamente á sua construçom nom fica nada claro que assim seja, porque há cousas por construir que neste projecto dam por feitas. Mas é o custe da construçom o único custe assumir?, provavelmente para o ministério de fomento si, mas nom para a ria nem para a sociedade ferrolana.

A construçom da alternativa sul implicaria a consolidaçom do chamado porto carvoeiro, umha das principais causas do caminho cara á morte da enseada da Malata. E ademais, na única parte de abertura ao mar que ainda queda nessa enseada iria umha ponte de 13 piares, 13 piares em pouco mais de 250 metros!. Umha vez que se encham de mexilhom, qual vai ser o passo que vai quedar para a agua do mar?, esta enseada ainda pode suportar umha reduçom ainda maior da sua capacidade de renovaçom de agua?. De se construir este projecto com os treze piares, ou com menos como agora parece que se “comenta” por ai, implicaria a morte definitiva para esta enseada. Fica claro que para a ria o custe seria demasiado grande, a alternativa sul seria a mais cara com muita diferença.

Foi esta enseada durante muito tempo unha das zonas de maior produçom marisqueira da ria de Ferrol, tanto que segue a ser na maior parte da zona intermareal autorizaçom marisqueira a pé da confraria de Ferrol, e na zona que sempre queda submergida foi umha tradicional zona de livre marisqueio a frote das confrarias de Ferrol e Baralhobre. Ainda hoje altamente contaminada polos vertidos sem depurar e o peche provocado polo porto carvoeiro, há actividade marisqueira furtiva, já que esta é umha zona qualificada micro-biologicamente como C (nom se pode comercializar marisco em fresco), a recuperaçom desta enseada criaria muitos postos de trabalho. A todo isto há que somar a povoaçom que vive arredor dela, jóias históricas como um dique de maré, instalaçons desportivas (campo de futebol, pavilhons desportivos, pistas de atletismo, clube de remo, piscina municipal...), as instalaçons de fimo, instalaçons científicas (estaçom de biologia marinha da universidade de Compostela), e as que me quedaram sem contar. Houvo incluso umha praia hoje sepultada baixo um passeio marítimo. A maior parte delas tenhem actividade ligada ao mar. A alternativa sul seria de novo a mais cara, muito mais que nengumha outra.

O problema nom é a construçom do caminho de ferro, no que há unanimidade na necessidade de construí-lo se queremos que o porto funcione, o problema é a alternativa escolhida. Por muito que a justifiquem é a mais cara, a sociedade de Ferrol-terra nom deve tolerar umha nova agressom á ria, nem á sua economia, nem aos seus espaços públicos e a sua saude. Que nom nos quitem piares, que nom nos indemnizem. O trem si mas nom por ai.

Para colmo, ainda que o caminho de ferro conectara com o actual percorrido ferroviário ia-se topar com umha rede que agora cumpre cem anos e que segue nas mesmas condiçons, e dizer totalmente obsoleta para transporte tanto de mercadorias como de pessoas. Poderemos comunicar o porto á cidade, mas a cidade segue a estar incomunicada, o meio de comunicaçom terrestre menos contaminante é o menos desenvolvido, umha outra barbaridade mais. Caminho de ferro ao porto e da cidade cara a fora, sem destruir o meio natural e para dispor de uns caminhos de ferro públicos ao serviço do povo.

No remate quero fazer umha lembrança do camarada Rai, finado este 6 de Maio, homem que a pesares de todas as dificuldades que tivo que suportar na sua vida, sempre tivo claro onde tinha que estar, e nunca deu um passo atrás na defesa do nosso pais nem no apoio aos seus camaradas, para mim como para muitos e muitas um exemplo a seguir de luita incansável.