Mandar obedecendo

Entre os assistentes estava também P.Volcker, assessor econômico de Obama

Janeiro de 2011, dia 11, o presidente do governo do Estado Espanhol compareceu ante um selecto grupo de pessoas para apresentar o Informe Económico del Presidente del Gobierno 2010. Como se encarregou de pôr em relevo a web do PSOE entre o auditório estavam os presidentes da maioria de empresas que cotizam no IBEX-35, de 13 empresas adicionais e também os representantes dos principais bancos de investimento que operam no EE. Presumiu o presidente do governo da sua intençom de concluir as reformas pendentes, haja ou nom acordo com os agentes sociais. O PSOE e Zapatero exibem com impudicícia o submetimento do seu programa econômico aos ditados do grande capital.

Entre os assistentes estava também P.Volcker. Apresentado pola maioria dos meios de comunicaçom como antigo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos e assessor econômico de Obama, esquecem especificar que foi confirmado para um segundo mandato à frente da Reserva Federal por Ronald Reagan. Com Carter ainda na presidência dos EUA Volcker comandava a Reserva quando se produziu a forte alça das taxas de juro em 1979, o shock Volcker. Umha alça com conseqüências dramáticas nos países da periferia econômica.  P. Volcker, desde o seu ponto na Reserva Federal, desempenhou um papel fulcral no trunfo do monetarismo na década de oitenta.

Entre as medidas que o presidente se comprometeu a executar -a ferro e fogo se for preciso haveria que acrescentar- está a reforma do sistema de pensons. Um sistema que na opiniom do presidente cumpre reformar fundamentalmente por: 

- A evoluçom demográfica que vai fazer que passemos de umha pessoa maior de 65 anos por cada quatro em idade de trabalhar a umha por cada 1'7 em idade de trabalhar.
- Este envelhecimento vai dar lugar a um forte incremento das despesas em pensons, passarám de 8,4% do PIB en 2007 a 15,1% en 2060.

Repete Zapatero as mesmas razons que os grandes meios de comunicaçom venhem proclamando. Esquece Zapatero que alguns dos que defendem essas teses já proclamaram que o sistema ia colapsar há muitos anos e que a interessada profecia sobre a quebra nom se produziu.  Quer ignorar Zapatero que esses argumentos fórom rebatidos por diversos economistas com anterioridade, entre outras razons por esquecer o impacto do crescimento da produtividade.

No que se refere à relaçom entre o número de pessoas em idade de trabalhar e o número de pensionistas esquecem que o incremento da produtividade pode fazer que 1'7 trabalhadores podem produzir mais que quatro. Na década de oitenta havia na Galiza umhas cem mil exploraçons com vacas de leite na actualidade ficam pouco mais de dez mil. Se a populaçom galega nom variasse a relaçom entre produtores de leite e consumidores seria na actualidade quae a dízima parte da que era. Quer isto dizer que nom chega o leite que se produz para todos os consumidores? Nom, em realidade as pouco mais de dez mil produzem quase o duplo do que produziam as mais de cem mil. O mesmo poderiamos dizer mutatis mutandis da relaçom entre quotizantes e reformados.

No que se refere ao crescimento das despesas colhamos o exemplo que pom V. Navarro. Considerando um PIB de 100 em 2007 e tendo em conta que as pensons representavam 8,4% do PIB, o número de recursos para os nom pensionistas foi 91'6 (100 menos 8,4). Com um crescimento da produtividade de 1'5% anual o valor do PIB em 2060 será 2,23 vezes superior ao de 2007. O PIB em 2060 seria, pois, 220. Se as pensons suponhem 15,1% do PIB seriam 33 (15,1% de 220), para os nom pensionistas ficariam 187 (220 menos 33). Noutras palavras, a pesar do crescimento do peso das pensons no PIB em 2060 haveria para os nom reformados umha quantidade que multiplicaria por mais de dous à que tinham em 2007.

Se tam preocupados estám polo futuro do sistema pública de pensons talvez deveriam dirigir a sua atençom cara as receitas. Acaso nom lembra Zapatero que a percentagem do PIB que representam as pensons no EE segue sendo significativamente inferior à da UE-15?

Em realidade nom se trata de assegurar a viabilidade do sistema público de pensons. Do que se trata é de modificar a distribuiçom da tarta, o produto, em benefício do capital e de ampliar o ámbito de negócio do capital financeiro. O questionamento do sistema pública de pensons que se vem produzindo no Estado Espanhol ao longo das duas últimas décadas, tanto por parte de dirigentes políticos do PSOE ou do PP como por parte dos principias grupos mediáticos, foi da mao dum crescimento dos fundos privados de pensons. Em 2009 representavam mais de 8% do PIB quando a finais da década de oitenta supunham menos de 1%.

Anos atrás o movimento zapatista popularizou a palavra de ordem mandar obedecendo. O dia 11 de Janeiro Zapatero, diante dos representantes do patronato, fijo confissom pública do seu compromisso com essa divisa acresentando-lhe três palavras mais: mandar obedecendo ao grande capital.