Terra e Tempo. Dixital Galego de pensamento nacionalista.
18-05-2022

À suba dos preços contribuem diversos fatores. Em nengum caso se explica pola suba dos salários

Sem respiraçom pola suba dos preços

BERNARDO VALDÊS PAÇOS


A variaçom interanual do índice de preços ao consumo na Galiza em Março de 2022 alcançou 10,5% (9,8% no conjunto do Estado). Noutra palavras o conjunto de bens e serviços que compram os fogares (alimentaçom, roupa, aluguer de vivenda, eletricidade, gás, combustível, móveis, medicinas, serviços de transporte, telefonia, ócio, restauraçom, seguros, etc.) eram em média (ponderada) 10,5% mais caros nesse mês que em Março de 2021.

A suba de preços repercute em maior medida naquelas capas da populaçom com rendas mais baixas e cujos ingressos nom medram ao mesmo ritmo que os preços. Segundo o IGE o número de fogares com dificuldades ou muitas dificuldades para chegar a fim de mês subiu 7 pontos percentuais nos últimos 3 anos, de 43,6% do total de fogares no primeiro trimestre de 2019 a 51% do total no primeiro trimestre de 2002.  Evidentemente esta evoluçom nom se deve só à inflaçom senom à crise económica associada à COVID. Essa situaçom castiga especialmente aos fogares monoporantais, compostos na sua imensa por umha mulher com filh@s. Neste caso a percentagem de fogares com difuldades é 62,2%. Mesmo no caso dos fogares monoparentais som as mulheres as mais afetadas. Um informe do Alto Comissionado contra a Pobreza Infantil apresentado em 2021 informa que dentre deste tipo de fogares som aqueles encabeçados por mulheres os que sofrem maiores taxas de pobreza e exclusom.

A suba dos preços nom só está afetando ao poder de compra das pessoas, empobrecendo à imensa maioria da sociedade. Também está repercutindo de forma negativa em muitas empresas, especialmente aquelas que se movem em mercados competitivos. O preço da farinha subiu mais de 30% no último ano; o do gás que utilizamos no forno 50%. Isto afirmava a proprietária dumha pizzaria a começos de Abril. No mesmo período o preço das raçons para as vacas leite aumentou arredor de 50%, informava um engenheiro especializado na gestom de exploraçons lácteas. Para umha exploraçom com um rabanho de 70 vacas estaríamos falando dum incremento das despesas na compra de pensos de mais de 3.600 euros ao mês. Umha suba dos gastos de alimentaçom que se une ao de outras fatores de produçom como a eletricidade, o combustível ou os adubos.

Som só dous exemplos de como o crescimento dos preços está afetando a muitas pequenas e medianas empresas. Empresas que em muitos casos apenas podem trasladar o incremento dos custos de produçom aos seus preços de venda, nomeadamente quando falamos de setores nos que a oferta está muito fragmentada. Nuns casos porque nom tenhem capacidade de negociaçom frente a umha procura muito concentrada em poucas empresas. Noutros porque as dificuldades polas que estám passando muitos fogares fam que um incremento dos preços de venda poda conduzir a umha forte contraçom da clientela.

Também os pequenos aforradores estám vendo como os seus aforros se vem muito mais afetados que os dos grandes. A taxa de rendimento que se obtém polo capital está diretamente relacionada com o tamanho do património. T. Piketty, utilizando os dados dos fundos de dotaçom das universidades estadunidenses, evidenciou este facto. Trata-se de fundos de umha quantia muito variável, desde algumas dezenas de milhons de dólares a miles de milhons. No período 1980-2010 obtivérom um rendimento médio desse capital de 8’2% por ano (rendimento real puro do capital descontados a inflaçom, os impostos e também os gastos de gestom). Para as universidades com menos fundos (as 498 com menos de 100 milhons) o rendimento foi de 6’2%, entre 100 e 500 milhons (226 universidades) 7’1%, entre 500 e 1.000 milhons 7’8%, por riba de 1.000 milhons 8’8% e só as três maiores Harvard-Yale-Princeton 10’2%. Falamos em qualquer caso de volumes de fundos muito superiores aos dum pequeno aforrador cujas rentabilidades seriam muito inferiores.

À suba dos preços contribuem diversos fatores. Em nengum caso se explica pola suba dos salários. Ao contrário, de acordo aos dados de convénios recolhidos polo Ministério de Trabalho o incremento interanual pactado até Março de 2022 foi pouco mais dumha quarta parte do incremento dos preços. Apenas 2,36% no conjunto do Estado frente ao IPC de 9,8%. Noutras palavras o argumento dos salários como causante da inflaçom nom deixa de ser umha escusa para incrementar os lucros empresariais a custa d@s trabalhador@s. Tampouco é a guerra de Ucrânia a explicaçom, embora esta contenda contribua a agravá-la, o processo inflacionário é anterior.

Entre os factores causantes da inflaçom poderiamos falar da ruptura das cadeias de subministraçom numha economia cada vez mais globalizada, na que os fatores de produçom empregados e os produtos percorrem cada vez mais quilômetros. Também dumha economia na que os monopólios tenhem cada vez mais poder. Se observamos as rubricas nas que as subas de preços forom maiores na Galiza som três que se caracterizam por ser mercados controlados por um reduzido número de grandes transnacionais: eletricidade, gás e outros combustíveis; utilizaçom de veículos pessoais e serviços financeiros. Poderiamos acrescentar o esgotamento de recursos chave no crescimento económico desde há décadas.
Precisamente o âmbito no que a suba de preços está a ser maior é o energético. Embora a tendência a alça poda explicar-se pola esgotamento e os maiores custos de extraçom dalguns recursos que som finitos, isto por si só nom explica a suba do último ano. Porém este contexto está sendo aproveitado polas grandes transnacionais para aumentar os seus lucros. No último ano, 2021, Iberdrola vem de conseguir lucros recordes na sua história, mais de 3,9 mil milhons de euros. Nom é a única energética, as outras grandes do sector que formam parte do Ibex 35 também vírom aumentar notavelmente os seus resultados empresariais. Som esse mesmo grupo de grandes empresas que vinhérom aproveitando o seu poder para evitar que se avançasse na procura de modelos energéticos alternativos.

No Banco Central Europeu começam a ouvir-se vozes que falam dumha possível suba das taxas de juro como soluçom para controlar a inflaçom. Umha saída que serviria para melhorar as margens da banca, mas que teria um claro impacto negativo na economia, freando a possível recuperaçom económica. Ademais poderia supor um notável incremento do custo do serviço da dívida nos fogares e empresas mais endividadas, castigando novamente aos mais débeis. Também repercutiria sobre a própria administraçom encarecendo os juros da dívida pública.
Nom é a inflaçom umha praga bíblica sobre a que os governos nom podam atuar para corrigir e/ou atenuar os seus efeitos sobre as classes populares. Ao contrário som múltiplos os âmbitos nos que podem tomar medida com um impacto a curto ou a médio prazo. Pensemos só em dous dos exemplos ao que nos referimos neste artigo: farinha e pensos, serviços bancários e eletricidade.

Na Galiza nas últimas décadas reduziu-se muito notavelmente a produçom de cereal, ao tempo que aumentava a dependência exterior para o abastecimento de graos, para a alimentaçom humana e animal. Um fenómeno que coexiste no nosso país com umha percentagem de terras dedicada à produçom agrária muito pequeno em comparaçom com a nossa contorna. A falta de políticas de ordenaçom do território ou o apoio à florestaçom de terras agrárias nom som alheias a esta evoluçom. Ao mesmo tempo que a maior parte das ajudas da Política Agrária Comum podem ser cobradas polos proprietários de terras sem necessidade de produzir, um facto que afeta em muita maior medida a outras áreas do Estado Espanhol que ao nosso país. Cumpre mudar as políticas para reverter esta tendência diminuindo a nossa dependência dos mercados exteriores para o nosso abastecimento alimentar.

A crise financeira que estourou em 2018 foi aproveitada polo PSOE e o PP para impulsar medidas destinadas a avançar na concentraçom do negócio bancário. Possibilitando que as grandes entidades que dominam o mercado multipliquem as suas práticas abusivas. Contam para isto com a conivência do governo do Estado que renúncia a legislar para frear este tipo de práticas, ao igual que para reduzir a concentraçom bancária, os patos de horários para limitar serviços, o fechamento de oficinas no rural etc. Da mesma forma que a Xunta da Galiza renuncia a umha Banca Pública Galega em benefício das entidades privadas.

O preço da eletricidade nom se pode explicar sem termos em conta que se trata dum mercado monopolizado com umha regulaçom da tarifa elétrica destinada a garantir os lucros extraordinários dessas grandes empresas. Muitas delas com acionistas compartidos. Um sistema de fixaçom de preços que baixa a aparência de pojas competitivas facilita que o preço cobrado nom tenha a ver com o custo de produçom e que as tecnologias mais baratas sejam remuneradas aos preços mais elevados. A submissom das políticas dos sucessivos governos ao lobby energético é evidente. Ademais no Estado Espanhol as naçons produtoras, como Galiza, estamos subvencionando através do sistema tarifário o consumo nas zonas que som grandes consumidoras, mas que apenas produzem. Este é caso de Madrid, favorecendo a concentraçom da atividade económica na capital. A insolidariedade mais evidente, os empobrecidos subvencionando aos enriquecidos, o colonialismo manifesto. Nada impede que se regule doutra forma a tarifa elétrica doutra forma para impedir os lucros extraordinários, que se avance na criaçom dumha tarifa elétrica galega, que se crie umha empresa pública de eletricidade ou que se fomentem figuras como os parques energéticos comunitários ou as comunidades energéticas para favorecer o consumo de proximidade e limitar o poder das grandes empresas.

É certo que há âmbitos nos que a capacidade de atuaçom dos governos para frear a inflaçom no curto prazo é limitada, mas como acabamos de ver em muitos outros a margem é ampla. A questom é se o poder político atua em benefício das classes populares ou permite que o grande capital siga aumentando os seus lucros deixando-nos sem respiraçom.