Terra e Tempo. Dixital Galego de pensamento nacionalista.
26-04-2016

Roma não era um estado que possuía um exército; era um exército que possuía um estado

Uma visão diferente de Roma

ALBERTE LAGO VILLAVERDE


A visão de Roma na maioria dos livros de história não pode ser mais favorável: uma força que véu traer a civilização. Isto não é exclusivo da Galiza nem da Espanha, ocorre por toda a Europa.

Um autor escocês, Alistair Moffat, tem reflexionado em várias ocasiões, sobre como a falar da batalha de Mons Graupius, em que as tropas de Roma derrotaram aos montanheses da Escócia, as versões dos historiadores adoptam invariavelmente o ponto de vista dos romanos. Isto num país em que não se pode dizer que a língua procede do latim, ou o direito vem de Roma etc.

À explicação mais singela deste fenómeno é que os nossos estados são em verdade herdeiros de Roma, ou se consideram como herdeiros dela. A identificação do estado moderno com Roma é tão explícita, que nesta Semana Santa estreou-se nos cinemas um filme no que a novidade é precisamente essa: Que os espectadores ocidentais tendem instintivamente a se identificar mais cos ocupantes romanos que cos judeus oprimidos.

Uma visão alternativa a esta é a proposta por Neil Faulkner, primeiro en 2000 com The Decline and Fall of Roman Britain e de novo em 2008 com Rome: Empire of the Eagles. Estes livros com ter mais de dez anos já o primeiro, resultam desconhecidos para muitos leitores dentro e fora do Reino Unido.

A tese de Faulkner parte duma ideia aparentemente singela, mas chea de consequências, que Roma não era um estado que possuía um exército; era um exército que possuía um estado.

Faulkner não nega a importância do escravismo no Império Romano, mas para il os escravos, como todo o demais, eram o resultado das guerras de conquista empreendidas por Roma. Cando acabou a expansão militar acabou também o subministro de escravos.

Uma segunda ideia era que este estado só era quem de explotar com eficácia aquelas sociedades agrícolas cuma base cerealista. As zonas gandeiras eram como muito marginais. E, onde se topava cos límites da agricultura cerealista da antiguidade, Roma não podia prosseguir coa conquista. Ou se prosseguir não podia conservar o conquistado como por exemplo nos vários intentos de conquistar a Escócia ou a Germania.

Mas cando chegou a estes límites Roma topou-se cum problema insolúvel: precisava um exército igual de forte ou mais que antes mas já não podia paga-lo co as conquistas e os saqueos dos países vizinhos. Era a própria sociedade romana a que tinha que pagar. E de ahi se seguiram as crises do século III e o que Faulkner chama a contra-revolução do século IV, que transformou o Império numa sociedade fechada e controlada pelo estado e a Igreja.

A ousadia de Faulkner deriva em boa medida de aplicar uma perspectiva marxista a um tema como Roma e a uma ferramenta como a arqueologia. Do marxismo de Faulkner baste citar que é autor de A Marxist History of the World: From Neanderthals to Neoliberals, da que mesmo há tradução ao espanhol, —o título não precisa comentário.

Este modelo não se limita a reflexões teóricas. Um exemplo seriam os achados de zonas denominadas pelos arqueólogos como terra escura, no médio de várias cidades romanas na Inglaterra. Para Faulkner essa terra escura seria o resultado de edifícios abandonados no médio das cidades. Um paralelo aos nossos ocupas, que indica que as cidades do Império estavam passando por uma crise bastante antes das invasões dos bárbaros.

Seria interessante a aplicação deste modelo na Galiza, tendo em conta que se trata, dum área nas margens dos interesses económicos do Império.


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