13:44 Venres, 10 de Abril de 2020
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10-03-2020

E a mim, às vezes dá-me por pensar que a humanidade está letárgica, inexistente, extraviada, pendurada na esgaçada carne das vítimas

A humanidade, esse trajeto longo, desumano

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CRUZ MARTÍNEZ


Hoje em dia continuamos a falar em demasia de humanidade, sensibilidade ou de empatia, mas em definitiva estas faculdades parecem ser unicamente belas palavras, sem uma função verdadeira, factual. A meu ver, são assíduos significantes em métodos de aprendizagem e tratados do bem e o mal. Creio que a final, podem ser atributos interessantes, muito estéticos. Uns distintivos a ter em conta numa entrevista de emprego. Além disso, não valem mais que para afiançar-te como o melhor candidato.

E a mim, às vezes dá-me por pensar que a humanidade está letárgica, inexistente, extraviada, pendurada na esgaçada carne das vítimas, que ficam esquecidas, forcadas nas elevadas fronteiras que foram erigidas na escuridão do pregresso. Em stand bye, paralisadas na involução.

O certo é que uma chega a estas conclusões, depois de escutar nos médios as terríveis notícias que continuam acontecendo nos nossos bairros, cidades e no mundo. E inevitavelmente a sensação que che queda no corpo é de impotência. Já que a situação continua a ser a mesma. As mulheres seguimos sendo assassinadas, violentadas, subestimadas, pela única razão de nascer mulheres.

Incompreensivelmente, a sociedade preconceituosa prossegue olhando com lupa os nossos comportamentos e vulneram os nossos direitos constantemente, devido às regras anacrónicas dos falocratas, que permanecem estancados nos versículos obsoletos, retrógrados do seu breviário discriminador.

O 8M e sempre o feminismo segue em pé, firme, lutando. Tentando atingir uma igualdade real entre as pessoas. Não obstante o tempo semelha permanecer ancorado nas ideologias dum machismo inacabado, exacerbado. Que insiste existir na omnipotência do macho e na violência desmedida. Acho que o mundo vive encerrado numa mentalidade de pedra, de ferro. Onde as estridentes vozes da autocracia tomam as ruas com as suas cadeias de salmos arcaicos, repressores.

Imobilizando-nos, apressando-nos entre pregarias e catecismos. A humanidade, esse trajeto longo, desumano.

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