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13-12-2019

A mudança é uma constante no plano da política. Algo que acostumamos a esquecer nós e ainda mais os espanhóis, dos que somos colónia.

Cem anos a traçar novas fronteiras (1)

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HENRIQUE EGEA LAPINA


(Este artigo é parte duma série sobre a criação de novas entidades estatais na Europa)

Habitualmente, ao falarmos de países novos, tendemos a pensar nas ex-colónias dos países europeus na África ou na descolonização dos países da Ásia. Mas na Europa há uma abundante nómina de países recentes, novos e menos novos.

Para os que estudamos o ensino secundário no século passado o mapa da Europa atual é muito diferente do que apreendemos. Os limites dos estados têm mudado, têm-se criado novos estados e unificado outros. Mesmo têm mudado as relações políticas dentro de estados entre os territórios que os integram e o estado.

A mudança é uma constante no plano da política. Algo que acostumamos a esquecer nós e ainda mais os espanhóis, dos que somos colónia, por interesse das alturas e, como consequência, por ignorância geral. Na Europa houve mudanças drásticas no mapa em diversos momentos do século XX.

Estas transformações tendem a agrupar-se arredor dos conflitos bélicos. A revisão duma estrutura política pode resultar traumática para as elites (e também para os povos) porque leva consigo a revisão da estrutura de poder económico, do reparto de ganhos e a divisão dos meios de produção. Normalmente as oligarquias que as controlam não desejam perdê-las polo que evitam cedê-las com negociações e preferem servir-se da violência. Primeiro limitada ao “império da lei”, depois abertamente. Assim que muitos dos novos estados resultam dum conflito bélico mas... nem sempre.

Vejamos, sumariamente, o que aconteceu no último século.   

Os resultados da Grande Guerra e outras.

A Grande Guerra, da que se comemorou recentemente o centenário, pariu um número significativo de estados criados do espólio dos impérios perdedores. Do Austro-Húngaro e do Russo nasceram países como Áustria, Checoslováquia, Hungria, o reino da Jugoslávia, Estónia, Letónia, Lituânia, Finlândia e Polónia. Alguns deles já existiram em diversos momentos da História mas agora se constituíram de novo segundo o contexto.

Esta numerosa fornada de países novos nasceu baixo a olhada atenta e controladora das potencias europeias vencedoras (Império Britânico, República Francesa e E.U.A. entre outros) que acostumam a reverter no seu benefício os processos liberadores. Ainda que seria mais exato dizer que o controle o exercem as elites económicas desses estados que se sucedem ao longo dos tempos.

As potências ocidentais, ademais, ocuparam os territórios do Império Otomano na Ásia ocidental para depois organizá-los nos estados atuais da Jordânia, o Iraque, Kuwait, Líbano, Síria, Israel, Palestina e Egito[1] para além da nova Turquia que necessitou de fazer uma nova guerra para se constituir, em 1923, no estado que hoje, mais ou menos, ainda persiste.

Para além das independências ou criação de estados na década dos 20, também foram redefinidas as fronteiras de muitos outros estados com aquisição ou perda de território como România, Bulgária, Grécia... ou a independência, forçada de territórios que não participaram diretamente na Grande Guerra.

O caso de Irlanda

Rara vez a ilha de Irlanda estivo unificada por um único estado. Mesmo hoje está dividida em duas partes. Aproximadamente um quinto, o Ulster ou Irlanda do Norte, integrado no Reino Unido da Grande Bretanha e quatro quintos, mais ou menos, a República de Irlanda.

No século XII começou a conquista “normanda” e culminou com o domínio de Henrique II que prolongou a posse da ilha até o século XX.

Com todo, os nobres de origem anglo-normanda ou câmbrica adotaram a tal ponto a cultura e os usos dos irlandeses que esta assimilação dos colonizadores chegou a ser nomeado por um dito latino: Hibernis ipsis hiberniores; isto é “mais irlandeses do que os mesmos irlandeses”. Para evita-lo foram tomadas medidas no século XIV proibindo o uso do gaélico, os matrimónios com nativos e outras proibições que evitavam o “contágio”.

As medidas anticatólicas de Henrique VIII e a sua filha Isabel e as colonizações ditadas por Maria Stuart, galvanizaram um sentimento nacional irlandês centrado no sentimento anti-inglês e, infelizmente, no catolicismo romano.

No século XVII e em relação confusa com a Guerra Civil inglesa e o período da ditadura de Cromwell houve na Irlanda uma rebelião que conseguiu controlar boa parte da Ilha e constituir-se como um estado mas o ensaio durou pouco e o exército de novo modelo de Cromwell esmagou o irlandês impondo com mão de ferro a soberania britânica.

Entre 1801 e 1922 Irlanda formou parte do Império Britânico e, dentro deste, do Reino Unido da Grande Bretanha e Irlanda. Ainda que a decisão do parlamento irlandês de aderir-se ao R.U. da G.B. e Irlanda foi contestado por certos líderes políticos, as propostas para se emanciparem os irlandeses tiveram escassa repercussão. Em 1916 os republicanos irlandeses iniciaram uma atividade bélica contra o poder britânico (a chamada Guerra de Independência Irlandesa ou Guerra Anglo-irlandesa, segundo o bando) que foi esmagado polas tropas britânicas. Sem violência é difícil fazer-se ouvir dos poderosos que detêm o monopólio da violência. Em 1919 os parlamentários irlandeses escolhidos para o parlamento britânico formaram um parlamento próprio (Dáil Eireann) e o seu presidente De Valera exerceu como presidente da república.

A independência da República de Irlanda estivo longe de ser um jardim de rosas e o conflito coleia até bem entrado o século XX no Ulster e ainda está a dar problemas com o Brexit.  




             
[1] Deste assunto tratei numa série de artigos anteriores



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