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01-07-2019

O que está em desenvolvimento é de facto uma guerra híbrida desenhada de acordo com os manuais e planos dos falcões norte-americanos e que entrou numa nova fase

Jogos de Guerra

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ÂNGELO ALVES


Segundo as notícias, o Mundo poderá ter estado à beira de um ataque norte-americano contra território iraniano. O bombardeamento de vários alvos iranianos esteve iminente. Foi cancelado 10 minutos antes.

Trump invocou a estimativa de baixas iranianas para cancelar o ataque. É óbvio que a decisão nada teve que ver com preocupações sobre baixas iranianas, Trump tinha esses dados quando ordenou o ataque. Mais… basta olhar para o historial das agressões norte-americanas – Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, entre outras – para perceber que para quem levou a cabo autênticos massacres e admite o uso da arma nuclear essa não será a sua preocupação.

Esta provocação integra uma estratégia de elevar ao máximo a tensão e a pressão contra o Irão. Aliás, as notícias de um ciber-ataque norte-americano contra os computadores que operam os sistemas de defesa iranianos logo após o cancelamento do ataque «convencional» comprova-o.

O que está em desenvolvimento é de facto uma guerra híbrida desenhada de acordo com os manuais e planos dos falcões norte-americanos e que entrou numa nova fase com a decisão da Administração Trump de abandonar o chamado «Acordo nuclear» em 2018. As sanções, as tentativas de desestabilização interna e agora todo o conjunto de provocações visam aumentar ainda mais a tensão e simultaneamente tentar conter o papel do Irão no Médio Oriente (nomeadamente na solução final para a questão síria) e o desenvolvimento das suas relações quer com a Rússia e a China (é importante recordar que o Irão é parte do projecto «uma faixa, uma rota» e que participou como observador na última cimeira da Organização de Cooperação de Shangai) quer com Estados europeus. Como sempre, está também em causa o facto de os EUA estarem a tentar manter o seu domínio no controlo da produção e trânsito de hidrocarbonetos provenientes da região, onde o estreito de Ormuz (por onde passam entre 33% a 40% do tráfego marítimo de petróleo) tem um importantíssimo papel.

A questão não é a possibilidade do Irão de obter uma arma nuclear. Os relatórios da Agência Internacional de Energia Atómica comprovam que o Irão cumpriu, desde 2015, data de assinatura do chamado «Acordo nuclear», os compromissos nele assumidos. E muito menos a decisão de atacar petroleiros no Estreito de Ormuz, acontecimentos que nas vésperas de várias cimeiras internacionais seriam um autêntico suicídio diplomático. Trata-se de operações de «falsa bandeira», aliás como o comprovam os relatos japoneses de que os ataques «vieram do ar», derrotando a tese das «minas iranianas». A decisão dos EUA de sobrevoar território iraniano com duas aeronaves militares (o Drone abatido e um avião espião tripulado com mais 30 militares a bordo, que o Irão decidiu não abater) demonstra o grau de provocação. Em princípio as acções dos EUA visam apenas tentar ganhar espaço no xadrez político e geoestratégico do Médio Oriente, num quadro em que decorrem negociações várias. Mas o seu modus operandi além de extremamente perigoso demonstra onde está de facto o perigo para a paz e a segurança mundial. Perante tão ignóbil estratégia de mentira e provocação que pode resultar num conflito de enormes dimensões, é grave que a ONU, a União Europeia e, no nosso caso, o Governo português se submetam aos jogos de guerra de Trump.


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