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06-05-2019

A espécie humana chegamos até aqui por ser seres sociais e teremos futuro se somos capazes de seguir actuando como sociedade.

Liberdades e dereitos

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JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS


A finais dos anos 80 uns amigos figeram umha viagem por China, à volta contavam histórias, mas umha da que vinheram mais surpreendidos foi umha relativa à forma de ser desse povo, contárom que em zonas rurais a gente nom concebia umha melhora se nom era colectiva. Que um vizinho tivera algo para si próprio sem beneficiar aos demais nom tinha sentido para eles, tanto para quem tinha como para quem nom tinha, polo tanto se alguém tinha algo era para compartir.

O rio Congo separa as duas espécies de primates mais próximas a nos, só nos separam deles 6 milhons de anos de evoluçom, ao norte os chimpanzés e os bonobos ao sul, sociedade patriarcal a primeira e matriarcal a segunda, mas sociedade. Se o ser humano chegou a onde chegou é precisamente por ser um ser social. Chegamos até aqui como animais sociais, nom como suma de indivíduos, senom actuando como conjunto, como sociedade. Ponho o exemplo dos chineses, porque o pensamento global neo-liberal doutrina essencial do capitalismo leva caminho de aniquilar o nosso comportamento social.

O individuo como principio, polo tanto a liberdade exerce-se de jeito individual e os direitos som individuais e nom colectivos, em qualquer caso serám a suma de indivíduos e nunca direitos colectivos. E isto esta cada vez mais interiorizado, e é generalizado.

Há umha moda em Estados Unidos com ainda nom muito eco em Europa que é a do ensino em casa. É verdade que hoje há meios para poder adquirir conhecimentos desde casa, Internet permite aceder a todo o conhecimento universal e nom precisaríamos mais que de um programa a seguir adaptado ao desenvolvimento das crianças. Mas, é o objectivo único do ensino a simples adquisiçom de conhecimentos?. Para a gente que exerce e defende como método de ensino muito mais eficaz esta “opçom” si. Mas aqui esquecemos que o ensino nom só tem como objectivo a adquisiçom de conhecimentos, senom outra parte tam ou mais importante que é a socializaçom das crianças, a participaçom com outros indivíduos no seu desenvolvimento como seres humanos.

Um exemplo mais claro do triunfo da ideia das liberdades e direitos individuais temo-lo no movimento anti-vacinas, apoiado em grande parte por gente que se auto-denomina de esquerdas, aparte da sua origem irracional e a-científica, tem um componente fundamental insolidário e anti-social. “Cada um é livre de fazer com o seu corpo o que queira”, “é o meu direito como pessoa”. E aqui começa o problema, se os direitos som individuais, isso seria justo, mas é isso real?, nom há entom direitos e liberdades colectivas. O direito à saude colectiva nom estaria acima do direito individual de escolha?, para esta gente nom, porque limitaria o sua liberdade, entendendo sempre esta de jeito individual.

Outro exemplo evidente é o da língua. Os movimentos supremacistas espanhóis, os que lhe chamam ao espanhol, “la lengua común” defendem o direito à escolha de idioma no ensino e polo tanto a que os seus filhos e filhas recebam todas as matérias em espanhol. Utilizam o mesmo argumento dos anti-vacinas, é um direito de liberdade de eleiçom e polo tanto é um direito pessoal e individual, a seu mantra é “os direitos som das pessoas e nom das línguas”, nom se lhe pode “impor” a ninguém umha língua “autonómica” porque a sua liberdade individual está sempre acima da norma comum.

Há uns anos 2010 ou 2011, fum a umha charla que realizava um homem baixo o título de receitas para a saída da crise, depois de passar o tempo de exposiçom, onde explicou a importância de ser empreendedor e “listo” e buscar saídas sempre de jeito individual, quando chegamos às perguntas, eu perguntei-lhe que sentido tinha o êxito individual numha sociedade empobrecida, se nom seria melhor buscar umha saída colectiva, a sua resposta foi muito clara, ele estava para falar do êxito pessoal que era a única saída, nom existe a saída colectiva, e estava claro que com a minha forma de pensar nunca seria um triunfador.

A espécie humana chegamos até aqui por ser seres sociais e teremos futuro se somos capazes de seguir actuando como sociedade. A receita neo-liberal da liberdade e direitos individuais leva implícita a sua caducidade. Há um trabalho duro por diante de luita contra a insolidariedade, mais ainda quando temos o inimigo dentro da casa nesta maré neo-liberal que o inunda todo. Bonobos, chimpanzés e humanos somos seres sociais ou nom somos.



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