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27-08-2018

A proibição de banho não chegava a Ponte de Lima, mas a cor da auga deixava bem claro que estava contaminada.

Cianobacterias no Lima

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ALBERTE LAGO VILLAVERDE




Passando uns dias em Portugal neste Agosto, ao chegar a Ponte da Barca, achamos que estava proibido o banho no rio Lima. Uma mágoa já que há um parque precioso nas beiras do rio. Perguntando contaram-nos que havia uma acumulação de cianobacterias, que procediam dum encoro no lado galego da raia. Indagando algo mais, soubemos que o encoro de As Conchas estava afectado pelos vertidos de surro de várias granjas. Cando digo várias estou a falar de mais de 600. O esterco que produzem tal cantidade de cabeças de gando na Limia está a desbordar o que pode absorver a terra, pelo menos tal como se reparte agora. O resultado: filtrações de xurros ao rio, um encoro onde se acumulam as bactérias que se alimentar desse xurro e o Lima contaminado até bem perto da desembocadura.

A proibição de banho não chegava a Ponte de Lima, mas a cor da auga deixava bem claro que estava contaminada.
Não deixa de chamar a atenção que, no sistema agrário que temos, se encher os rios de merda ao tempo que se empregar fertilizantes de fora. Mentras o monte está abandonado, os animais estão fechados e alimentados com pensos. Também com antibióticos para evitar que morrer pelas condições de massificação. O resultado de todo isto é o abandono efectivo da nossa paisagem agrária fora das zonas de explotacoes intensivas. E não acontece só na Galiza: as Astúries e o Norte de Portugal estão a passar pelo mesmo processo, com umas poucas diferenças. Mas hoje quero falar da Galiza.

Tendemos a pensar que a culpa de todo isto é da União Europea e as suas políticas para favorecer ás grandes empresas. E não é mentira: durante décadas, cada ano a UE tinha que destruir toneladas de carne, leite e derivados que não tinham a quem lhe vender. Seica isto já não acontece, e se acontecer não se nos informa.
Mas tampouco é toda a verdade. A política da UE não é só da UE, a implantação dessa política é muito diferente na França, onde se intenta manter a população no rural, que na Espanha ou na Galiza.

Que é o que se intenta exactamente na Galiza?

Acusam a Xunta de Feijoo de abandono do rural como se o tivesse desatendido ou não se quiser ocupar dele; e não há tal coisa. A política de Feijoo é que a gente abandonar o rural e marchar para outro lado e para isso não se regatearão esforços: feche de escolas, eliminação de médicos, chips obrigatórios para os garranos que pastar no monte —que tem a fea mania de comer a massa de monte baixo que alimenta os incêndios— recortes na prevenção e extinção dos incêndios, que estamos a viver agora mesmo, etc, etc, etc.
Não é que a Xunta esteja a abandonar o rural pela sua passividade; está a intentar activamente que sejam os que vivem no rural os que o abandonar. Se a era Fraga deixou tocado o agro galego a era Feijoo vai deixá-lo sem gente, só precisa dar-lhe tempo.

Parece que estou a exagerar?

O da contaminação do embalse das Conchas leva a se repetir todos os verãos desde há mais de cinco anos. O problema segue igual, os artigos de 2013 já contavam o mesmo que passa agora. Tampouco passa nada; porque total os afectados estão em Ourense e Portugal e nas cidades não sabemos porque não nos toca de perto. Compre recordar que um incêndio na província de Ourense não é notícia se não afectar a uma zona de vivendas ou semelhante; na beira-mar nem nos enteiramos. E para que algo cambiasse, a Galiza precisaria ter um governo, assim fosse malo, e não a administração de fincas para os ricos, que agora estamos a desfrutarmos.

Enfim, igual que passa cós incêndios, cando um problema não se resolver acaba por se estender. Nada infrequente: cando estou a rematar este artigo há o mesmo problema no Umia.

Soluções? …calquera dia.

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