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05-03-2018

Como é possível que alguém acredite nestas cousas?, como é possível que alguém pense que vai curar umha doença através de cantos e/ou meditaçom?

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JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS



Este fim de semana desenvolve-se na Corunha a feira de bio-cultura, mas vendo o que ali se desenvolve, mais que bio-cultura parece um total absurdo. Umha autêntica cerimonia da confusom, a mistura de venda de produtos biológicos com pseudo-ciências e charlatanismo em geral, distorce o título da feira e da umha imagem ruim do que pode ser umha opçom de vida saudável, mas nom é nada novo.

       A retirada das duas “conferências” sobre vacinas, que na sua proposta se ofereciam como “proposta de opinions diferentes e espaço para a reflexom”. Serviu só para eliminar o mais perigoso (e por perigoso entende-se dar-lhe validade de autenticidade a patranhas sem o mais mínimo rigor científico, e com implicaçons muito graves para a saude humana). Mas ainda se mantenhem outras “conferências” outras jóias do conhecimento e ciência universais como “o ser holístico do século XXI”, “Geometria sagrada”, “terapia vibracional” ou “meditaçom com sons chamánicos”.

     Como é possível que alguém acredite nestas cousas?, como é possível que alguém pense que vai curar umha doença através de cantos e/ou meditaçom?. Pois do mesmo jeito que há gente que cura doenças por rezar a um santo determinado ou polo simples feito de acender umha vela numha igreja. Ambas vendem o mesmo umha vida melhor, as pseudo-ciências umha vida sana e a religiom umha vida eterna. E o ponto de partida também é o mesmo, a ignorância que  permite que a gente seja enganada e manipulada para maior glória do peto da igreja ou de algum ou algumha “espabilados”. E que terá maior capacidade de sanaçom, a repetiçom dumha sílaba durante horas, ou a oraçom de umha dúzia de ave Marias ou rosários?. Em qualquer caso as palavras mágicas nom curam, nem sequer as de Harry Potter, si o podem fazer a auto-sugestom e o convencimento de que realizar determinadas práticas sanam a um. O da vida eterna já é outra questom, provavelmente teremos que chamar a Carlos Jesus e aos seus amigos de Raticulí para que venham com os seus 13 milhons de naves para o explicar.

     Há que ter muito cuidado com a linguagem. Chamar medicina alternativa à homeopatia ou à imposiçom de maos, é falso porque nom som nem medicina nem som alternativas, e se som alternativa de algo o serám da eutanásia.  

   Todo isto nom seria mais que umha parvada se nom fora a conivência de  organizaçons políticas e instituiçons na divulgaçom e a consolidaçom na nossa sociedade do acientifismo a ignorância e a supercheria. Um estado aconfesional deve proporcionar a educaçom suficiente à sociedade para que tenha elementos suficientes que lhe permitam julgar  e determinar quando umha cousa é falsa ou nom, começando por umha educaçom integral na que ademais de letras e humanidades nom pode faltar a formaçom científica básica, séria e rigorosa. Desde as instituiçons nom se lhe pode dar a possibilidade de aparecer ante a sociedade como algo sério a crenças, mitos e supercherias ao mesmo nível que a ciência, enfrontar criacionismo a evoluçom ou homeopatia a medicina, nom só som debates falsos sem sentido senom que dam credibilidade de ciência a simples questons de fé.

     Desde as organizaçons políticas nom se pode ser conivente com todo este tipo de práticas (e nom me refiro aqui à “especial relaçom” entre a igreja católica e a direita no nosso pais pola confluência de interesses mútuos), senom que em muitos casos é incrível ver algumha vez a ingenuidade e outras a falta total de seriedade com que se toleram é/ou apoiam algumhas destas pseudo-ciências, e da-se-lha carta de credibilidade deixando-as actuar, quando nom participando activamente na sua difusom. Episódios recentes como a intervençom de Lídia Senra no parlamento europeu a respeito das vacinas, ou esta actuaçom do governo da marea atlântica na Corunha com o apoio institucional à feira de bio-cultura, fam-lhe muito mal à ciência e som um grande apoio para a difusom e credibilidade de crenças que numha sociedade formada, avançada e com pensamento crítico nom teriam cabida.

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