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11-09-2017

As classes dominantes reagem com o aumento brutal da exploração

Ventos de guerra e luta pela paz

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JORGE CADIMA



O Verão tornou mais evidentes os perigos de guerra que pairam sobre a Humanidade. A situação mundial deteriora-se, com as ameaças militares de Trump à Venezuela, Coreia do Norte e outros países; as manobras e presenças militares dos EUA/NATO nas fronteiras da Rússia e China; a fúria sancionatória generalizada; a nova escalada dos EUA no Afeganistão (com o Paquistão na mira).

Há meio século, Martin Luther King descreveu o seu país como «o maior agente de violência do Mundo». King seria assassinado pouco depois, e a violência do imperialismo norte-americano não parou de crescer, em particular após o desaparecimento do contrapeso que a União Soviética e o campo socialista representavam. Hoje, Trump ameaça o planeta inteiro com intervenções militares. Já foi assim com Obama.

As contradições estalam por toda a parte. No seio das classes dirigentes do imperialismo norte-americano há um enfrentamento feroz, que apenas se acalma em momentos de afirmação do belicismo imperialista. As relações entre EUA e as potências europeias são publicamente caracterizadas como as piores desde a II Guerra Mundial, e apenas se compõem quando se trata de provocar a Rússia e agredir outros estados e povos. A União Europeia vive em crise permanente. Tudo isto é reflexo da crise estrutural do capitalismo. Uma crise que não foi resolvida pelos apoios extraordinários ao sistema financeiro pelos estados e bancos centrais, apoios que alimentam bolhas insustentáveis (veja-se as bolsas) e um sistema financeiro já sem qualquer relação com a realidade produtiva. De cada vez que se ensaia a redução das subvenções, estremece o castelo de cartas em que se tornou o ‘sistema financeiro internacional’. As contradições generalizadas reflectem também o declínio das velhas potências imperialistas (que no caso dos EUA se arrisca a ser explosivo) face à emergência de novas potências, com destaque para a aparentemente imparável ascensão da China à posição de maior economia mundial.

As classes dominantes reagem com o aumento brutal da exploração de classe e a imposição pela violência da sua hegemonia planetária. O inevitável corolário é o crescente autoritarismo, mesmo no seio das velhas democracias burguesas, alimentado também pelo alastramento dum terrorismo misterioso, cujos alegados autores têm sempre ligação aos serviços secretos e às guerras sujas patrocinadas pelo imperialismo. O autoritarismo aumenta à medida que as políticas de empobrecimento acelerado dos povos abrem fendas no controlo ideológico sobre os povos (até nos EUA e Reino Unido).

A guerra sempre foi intrínseca ao imperialismo. Hoje, como noutras fases de crise aguda, o ‘partido da guerra global’ ganha força. Mas a guerra não é inevitável. Está nas mãos dos povos afastar a catástrofe para onde o grande capital os conduz, erguendo-se para derrotar os senhores da guerra e da miséria. É por isso que é tão importante a solidariedade com todos quantos resistem aos ditames do imperialismo – na Venezuela e na Síria, em África e no Extremo Oriente, e também nos países do centro imperialista. A luta pela paz e a luta contra o imperialismo são cada vez mais indissociáveis. E urgentes.


[Artigo publicado en Avante!]


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