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28-02-2017

Não podo evitar pensar em que resultados poderia achar uma olhada semelhante aos nossos castros

Cando os anglos e os saxões conquistaram a Britania

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ALBERTE LAGO VILLAVERDE



Imos falar dum livro, King Arthur Wars, publicado o ano passado por Helion books, uma pequena editorial especialista em temas históricos. O autor, Jim Storr, é um oficial retirado do exército britânico, o que tem bastante importância na tese do livro.

O nome do livro é enganoso, não se trata duma biografia ou investigação sobre o rei Artur. O nome emprega-se para indicar uma época, seguindo o uso iniciado pelo livro de 1973, The Age of Arthur de John Morris, que pretendia ser uma história das Ilhas do 350ane ao 650ane. Trata-se dum estudo sobre a guerra nesse período coa intenção de explicar como foi que os anglo-saxões conquistaram o que hoje é Inglaterra.

Por que nos pode interessar este processo? Porque a conquista da Inglaterra pelos anglos e saxões é o único caso em que os invasores germânicos são quem de impor o seu idioma á população conquistada. É importante saber que tivo de diferente o processo britânico para entender os outros processos. E para Jim Storr o que tivo de diferente foi a guerra, ou mais bem as guerras, já que se trata dum processo que não remata antes do 750. Nessa altura foi cando Gales ou Cornualha quedaram coas duas fronteiras actuais. Seria a duração das guerras o que permitiu aos anglos e saxões assimilar ou deslocar á população britânica em pequenos territórios um detrás de outro; em lugar de se diluir no conjunto dela, como sucedeu na Galiza ou na maior parte de Ocidente.

Vista aérea do Wansdyke, uma das fortificações que se estudam no livro

A tese do livro é que as campanhas militares da época se podem seguir no terreno pelas obras a que deram lugar. Uma boa parte da Inglaterra está atravessada por obras de foxos e parapeitos que em ocasiões se estendem decenas de quilómetros. Seguir a orientação destas obras e a sua função permite ao autor, militar profissional, reconstruir as campanhas militares para as que foram construídas com bastante detalhe. De feito, achegam informação muito melhor e mais fiável do que nos proporcionar as crônicas da época. Isto complementa-se cuma olhada nova á toponímia para ver que sítios encaixar melhor coas campanhas que se estão a reconstruir.

Os câmbios podem ser importantes, por exemplo, as crônicas falam duma vitória dos anglo de Northumbria no 616 na “cidade da legião”. Habitualmente identifica-se esta cidade com Chester na costa Oeste e perto da fronteira com Gales. O autor sinala, com bos argumentos, que se tratava de York, no outro lado da Ilha. Isto cambia por completo a interpretação da batalha: o anglos não estavam a rematar a conquista da Inglaterra, estavam apenas a começar em sério.

Outro exemplo da importância dum par de olhos novos. Ao falar das fortificações dos Chilterns (a serra que fecha o val do Tamesis pelo Norte) o autor ensina-lhes o plano a um grupo de historiadores da Primeira Guerra Mundial e a outro grupo de arqueólogos. Todos os do primeiro grupo identificaram as fortificações como dispostas para fechar o passo aos principais vales. Todos os arqueólogos consideravam que as fortificações estavam postas a chou. Pode ser que este desinteresse pela táctica militar não seja exclusivo dos arqueólogos britânicos?

A visão da conquista que se pode reconstruir tem bastantes surpresas. Um exemplo é que a conquista da maior parte da Inglaterra foi muito mais tarde do que se pensava, não sucedeu até princípios do século VII. Isto implica que no período do 400 ao 600 os britânicos continuavam a ser donos do seu país salvo algumas zonas na costa Leste. Isto seria cento e cinquenta anos mais tarde do que se supõe habitualmente. Mesmo alguns assentamentos saxões seriam obra dos britânicos para vigiar a fronteira, caso de Essex.

Um livro que todo arqueólogo galego deveria ler, mais é de temer que poucos vão ouvir falar del, e seria uma mágoa. Não podo evitar pensar em que resultados poderia achar uma olhada semelhante aos nossos castros. Pior ainda, os castelos valeiros que aparecem em muitos montes da Galiza segundo nos conta Manuel Gago na sua série de artigos Repúblicas de Homes Libres. São da mesma época e não sabemos case nada deles.

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