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24-05-2010

Coas atuações para sair da crise que estão a pôr em marcha tanto o governo do estado como o autonómico cuido que fica bem claro que nenhum dos partidos espanhóis têm alternativas para sair da

Da crise, das retalhadas e da situação da mocidade

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GAEL GONZÁLEZ BEIRA



Num momento como este no que se anunciam as medidas a adotar pelo executivo estatal para a redução do défice público e das supostas atuações para sair da crise que estão a pôr em marcha tanto este governo como o autonómico cuido que fica bem claro que nenhum dos partidos políticos espanhóis têm alternativas para sair da crise.

A grosso modo existem duas fórmulas de redução do défice público, as mais diretas: gastar menos e arrecadar mais. No entanto, esta medida so devera ser aplicada nos casos em que o défice se tornar insostível e não quando à UE, ao FMI e ao Obama lhes petar. O que é inconcebível é predicar a redução do gasto supérfluo com cargo ao erário público e logo suprimir os programas de bem-estar, reduzir o investimento em ensino, em universidades, reduzir o salário dos funcionários ou congelar as pensões... Porque até onde eu alcanço de supérfluo não tem nada. E há muito de onde retalhar: de resgates à banca sem contrapartida nenhuma, de subvenções à patronal para não se sabe mui bem que, de investimentos improdutivos, de ministérios inúteis, de missões militares internacionais onde não se pinta nada, de concertos com a privada na educação ou na sanidade...

Num cenário em que as rendas do capital têm cada vez maior importância no conjunto do PIB do estado é mais injusto e antissocial, se calhar, que o sistema impositivo do estado recaia sobre as rendas do trabalho e os impostos indiretos pelo que também há muito de onde arrecadar mais: do imposto de património que se retirou, da tributação das SICAV, de contas secretas em paraísos fiscais, das rendas altas, das rendas do capital...

Também não é concebível falar da necessidade de garantir a estabilidade das pensões se o que procuramos é abaratar o despedimento, consentir quando não implementar contratos em precário e instabilizar a situação laboral da classe trabalhadora nomeadamente da mocidade. Que estabilidade vai ter o sistema de pensões se a mocidade não tem acesso a trabalhos minimamente estáveis. Com as taxas de paro juvenil do primeiro trimestre do ano na Galiza (de 16 a 19 anos 50,0%, de 20 a 24 anos 33,4%, de 25 a 29 anos 22,2%) que expectativa pode haver para uma mocidade que cumpridos os trinta anos apenas cotizou, tem um contrato instável, e um baixo salário de que chegue os 65 anos com possibilidade de se jubilar e obter uma pensão que lhe dê para viver. Ante o que estamos é ante uma cortina de fume para a privatização do sistema de pensões da que mais uma vez se beneficiará a banca.

Os entendidos dizem que nestes momentos de crise todos temos que arrimar o ombro e, polo tanto, criminaliza-se vilmente qualquer mobilização das trabalhadoras e dos trabalhadores para reivindicar os seus direitos. E é que a classe trabalhadora tem de assumir que vai haver recortes nas prestações sociais, despedimentos e contrarreformas laborais sem mediar palavra mentres não se sabe em que medida arrimam o ombro os patrões porque, também até onde eu alcanço, o trabalho não o oferecem por caridade cristiana, pois daquela, qual vai ser nestes momentos de dificuldades a contribuição das rendas altas, dos capitalistas à saída da crise?

A fatura parece que não está mui justamente distribuída se dos Orçamentos do Estado para este ano, aproximadamente 400 000 milhões de euros, uns 106.000 milhões provêm das rendas do trabalho através do IRPF, que se gasta na política de pensões; 133.000 milhões das cotizações sociais dos trabalhadores e trabalhadoras; 110.000 do endividamento do Estado, e o resto de IVE, impostos especiais, de sociedades e transferências da União Europeia. Não é?

Por isso, é imprescindível a comquista e o mantimento de direitos laborais e sociais da mocidade no caminho da construção duma sociedade mais justa e igualitária porque uma mocidade sem direitos é um povo sem futuro.


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