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07-02-2013

O sistema funciona em quanto nom sejamos pessoas, em quanto nos comportemos como obedientes e submissos

O medo no corpo:

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JOÁM LUÍS FERREIRO CARAMÊS



Sempre me resultou desconcertante quando alguns adultos comentam entre eles a inocência dos nenos por crer nos reis magos, pai natal ou o apalpador, que inocência!. Mas ao dia seguinte eles vam á igreja a rezar a deus ou ao santo de turno para que o cure de algo ou lhe procure sorte, iso si que é coerência!, quem é mais inocente?.

Hoje está de moda nalguns países a educaçom dos nenos na casa, é verdade que há meios avondo para aceder á informaçom, mas há algo fundamental que falha. O ser humano é um ser social, a escola nom só serve para transmitir conhecimentos, tem um papel fundamental na socializaçom do individuo, algo imprescindível para o desenvolvimento integral da pessoa e que nom se pode levar a cabo desde a casa. Viver em sociedade permitiu-nos chegar como espécie até aqui, mas também tem as suas contra-partidas, algo do que se aproveitam as religions e o sistema, é a sua garantia de sobrevivência.

Desde que somos pequenos e junto ao processo de aprendizagem e socializaçom também há outras cousas que ao longo do processo evolutivo ficamos geneticamente pré-dispostos, e questom de sobrevivência. No processo de aprendizagem damos por bom o que nos ensinam os maiores, asi ao mesmo tempo que aprendemos a escrever ou a dividir também entram na nossa cabeça a obediência acrítica ou a ideia do sobre-natural. Como se nom é possível que alguém creia algo tam absurdo como que por rezar a um santo ou por-lhe umha candeia vai curar dumha enfermidade?...

Na história das religions vemos como no processo de expansom actuam segundo fosse preciso assimilando crenças anteriores ou massacrando povos inteiros para “dar exemplo”. Partindo dum feito qualitativo irracional, a existência de um ou vários deuses, o processo de crecimento quantitativo na irracionalidade leva a assumir mutilaçons, auto-mutilaçons ou a negaçom de algo tam básico e simples decidir sobre o próprio corpo. Milhons de pessoas sofrêrom e morrêrom e seguem a sofrer e morrer na actualidade pola religiom, especialmente as mulheres padecem em maior medida os efeitos da negaçom do ser humano como tal para submeter-se á “grandeza de deus”. O mais grave de todo isto é que as vítimas vam contentes ao matadoiro, num processo começado de nenos, mas no que um factor muito importante é o medo.

Medo a “pecar”, medo a fazer algo que podam pagar muito caro na “vida eterna”. Lembro como umha mulher dizia-me um dia que se eu era consciente de que nom ia ir ao ceio por nom crer em deus. também quando me dixera um religioso em aulas de religiom que havia que rezar pola noite antes de se deitar, que um neno que nom o figera morreu, sempre o medo. Nas igrejas románicas ou góticas vem-se no exterior os monstros do inferno, aviso aos vizinhos, os santos estavam dentro. Ao final o queda é que o melhor é portar-se bem, obedecer, senom poderemos ser condenados, nom chegaremos ao ceio.

Em situaçons como a que estamos a viver é difícil compreender como é possível que coa que esta caindo por todos lados, trabalho, direitos, serviços..., praticamente nom se move ninguém, nom passa nada. Passa, mas também há muito mais medo que nunca, perder o trabalho agora é muito pior que em qualquer outro momento. No canto de defender colectivamente o que é de todos e todas, opta-se por sobreviver individualmente. Estou seguro de que muitos e muitas escoitaríamos iso de “nom te metas em problemas, é melhor estar calado”.

O sistema clientelar, a aranheira do PP que chega no nosso pais a todos os sítios, reproduze isto umha e outra vez. para os que caem na rede, fai o que che digo, vota-me e serás recompensado e como nom o fagas o vás pagar. Para os que estám fora a mensagem é, mira-de que com nos podedes ter algo, senom, faremos-vos a vida impossível. A gente entende-o bem, ás vezes demasiado evidente, lembro quando um mariscador de Ferrol desconcertado di-lhe a um cargo da Conselharia do Mar “estamos a portar-nos bem, nom fazemos mobilizaçons, incluso apoiamos nas municipais ao candidato do PP e portades-vos com nos igual que com o resto” estava a pedir-lhe o pago pola boa conduta, nom compreendia que nom pagavam porque já estavam neutralizados. Depois de escoitar este comentário um mariscador de Baralhobre que me acompanhava e que levava dias dizendo que estava farto de enfrontar-se á Conselharia, que essa atitude nom dava mais que problemas, calou porque entendeu perfeitamente. Os dous estavam maltratados, mas um com dignidade sabendo que fazia o que devia, o outro humilhado.

O sistema funciona em quanto nom sejamos pessoas, em quanto nos comportemos como obedientes e submissos. Por iso desde pequenos somos “instruídos” no medo, em assumir a nossa condiçom de imperfeitos, dependentes de deus, do cacique, do patrom ou do governo. No nosso caso ademais de Espanha e Europa, pobrinhos nos que faríamos sem eles que nos querem e cuidam tanto. É fácil entender porque a igreja insiste tanto em manter a religiom nas escolas e porque o PP o apoia, porque se procura umha educaçom acrítica, ilhada da realidade para formar submissos e nom pessoas.

A o único que devemos ter medo é a nom ser capazes de ver o que temos diante, a nom saber como fazer fronte a esta besta que disfarçada de deus e de estado nos chucha o cérebro e o sangue. Só somos pessoas quando exercemos como tais, defendendo os nossos direitos colectiva e individualmente. Nos maus tempos a besta também tem medo, por isso há que dar-lhe bem forte e onde mais lhe doa. Assumamos que somos pessoas e exerçamos.


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