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18-03-2010

A factura das aventuras financeiras está sendo assumida polo Estado, é dizer, pola maioria da populaçom

Que os pobres paguen a crise

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BERNARDO VALDÊS PAÇOS



Fórom numerosas as vozes que - ingenuamente nuns casos e mal-intencionadamente noutros- interpretárom a crise económica como o final do neoliberalismo e o início dum novo período marcado pola intervençom estatal.

Estas vozes nom devem levar-nos a enganho, o livre mercado nunca existiu, nom é mais que umha fábula; o papel dos governos foi clave no processo de mundializaçom, assegurando as condiçons para o domínio do capital financeiro. Mesmo nos EUA ao longo dos oito anos dos mandatos de Bush filho, assistimos a um crescimento do gasto público.

Ante a explosom da crise os distintos governos dos Estados centrais, com políticas partilhadas polos partidos do bloco central (os conservadores e os autodenominados social-democratas), nom duvidárom em acudir ao rescate das grandes corporaçons.  A injecçom de liquidez por parte dos bancos centrais, acompanhada da nom adopçom de medidas de regulaçom financeiras, favorecem o crescimento de novas bolhas especulativas. Enquanto o desemprego aumenta muitas das grandes entidades financeiras apresentam lucros históricos.

A factura das aventuras financeiras está sendo assumida polo Estado, é dizer, pola maioria da populaçom. Para isto foi necessário recorrer a gigantescas emissons de dívida pública evidenciando, mais umha vez, que o gasto público e o endividamento som admissíveis quando se trata de agir na defesa dos interesses do capital.

Longe de pôr-se em causa o modelo de acumulaçom neoliberal aprofunda-se nas suas características essenciais. Trás a crise económica de finais dos sessenta, começos dos setenta, a recuperaçom dos lucros empresariais veu da mao dumha diminuiçom da parte do produto que ia parar às trabalhadoras e aos trabalhadores. Foi um fenómeno observado polo próprio Alan Greenspan. Agora, o incremento do desemprego, com a reduçom do poder de negociaçom da classe trabalhadora que isto pode supor (lembremos o papel do exército industrial de reserva), quer aproveitar-se para novas reformas que permitam recuperar a taxa de lucro aumentado a taxa de exploraçom.

Que ninguém ouse realizar reformas fiscais progressistas para reduzir o défice fiscal! Ao contrário, proclamam as autoridades, polo lado do gasto é necessário avançar no control do gasto público desmantelando e/ou privatizando serviços públicos. Polo lado dos ingressos pode-se agir aumentando o peso da imposiçom indirecta tal e como acontece no padrom fiscal que se estende na UE.

Nom se tomam medidas que regulem os fluxos financeiros internacionais e o seu papel desestabilizador mas emprega-se sem rubor a especulaçom como pretexto para justificar as medidas regressivas. Destarte a Uniom Europeia, autêntico gendarme financeiro, impom ao governo dito social-democrata grego um plano de ajuste que passa pola reduçom salarial, o recorte das despesas sociais e o incremento dos impostos indirectos.

No Estado Espanhol a improvisaçom e as contínuas contradiçons do governo ponhem de manifesto as dificuldades para desenhar e aplicar políticas que respondam às exigências do capital sem ocasionarem ao mesmo tempo o descrédito dumha força que quer pescar no banco do voto progressista, ocasionando umha perda de votos significativa. O PP, sem que essa limitaçom o coarcte, exige maior rapidez e contundência numhas reformas que apresenta edulcoradamente.

Evidenciam também, ao igual que no resto da UE, a dificuldade para a existência no contexto sócio-político das últimas décadas dum projecto que seja de corte realmente social-democrata; em efeito, ao desaparecerem as condiçons políticas que explicárom a consolidaçom desse projecto trás a II Guerra Mundial, as elites económicas nom se vem impelidas a aceitá-lo impedindo o pacto capital-trabalho do keynesianismo.

No Estado Espanhol, e outros Estados, desata-se umha ofensiva contra o sistema pública de pensons; pom-se em causa a sua viabilidade enquanto o ministro responsável da matéria promociona os sistemas privados. Realizam-se recortes nos serviços do estado do bem-estar. Abre-se o debate sobre a reforma laboral (eufemismo de abaratamento do despido e precarizaçom) esquecendo que o Estado Espanhol já se ganhara um lugar de destaque no ranking europeu da precarizaçom e dos baixos custos laborais sem que isso servisse para solucionar o problema do desemprego.

Avança-se na concentraçom do negócio financeiro enquanto se tenta impedir de jeito impúdico que umha naçom periférica poda usar o seu próprio aforro a favor do seu desenvolvimento.

Patronato e sindicatos estatais assinam com a bençom governamental um pacto de moderaçom salarial esquecendo que foi precisamente a perda de poder adquisitivo das trabalhadoras e trabalhadores umha das causas da actual crise económica.

Um ministro galego anúncia demagogicamente a suba dos impostos aos ricos. À hora da verdade só algumhas medidas progressistas mas com escasso efeito recadador tenhem algo a ver com o discurso. A procura de maiores ingressos fiscais em realidade fundamenta-se na suba do IVA. Umha medida que afeita a todas e todos e que polo tanto tem um maior impacto nas classes mais desfavorecidas e nas naçons e comunidades do Estado com menores rendimentos.

Na Galiza enquanto nos fala de liberdade de escolha e de austeridade, Feijoo vai aplicando a sua folha de ruta marcada polos avances na privatizaçom dos serviços públicos (austeridade) e favores a determinados grupos da oligarquia económica (liberdade de empresa).

Os que nos governam - conservadores ou social-democratas, social-democratas ou conservadores- som os mesmos que protagonizárom o trunfo do neoliberalismo, é dizer, do capitalismo realmente existente nas últimas décadas. A sua agenda de flexibilizaçom do mercado laboral, de abertura ao capital privado e à concorrência dos serviços públicos para garantir umha maior eficiência, de racionalizaçom da administraçom pública,... a ritmos mais ou menos acusados dependendo do Estado, vinha-se aplicando no conjunto da UE. Agora tratam de aproveitar a crise para aprofundar nesta política. Umha consigna os guia: que os pobres paguem a crise!

[18-03-2010 ] Medios comentou:

Deberías pechar o teu artigo con: E os pobres nas próximas eleccións votarán á dereita, como xa fixeron nas anteriores. ¿ Qué é o que pasa para que a xente non se identifique co noso discurso Bernardo? Falas no teu artigo do incremento da taxa de IVA, pero que me dis do aumento das retencións do IFPF, que supuxo dende comezo de ano unha merma no importe líquido de todas as nóminas, nalgún caso de 80 euros en nóminas de 1100. Creo que hai unha impresión xeral de que todos temos que arrimar o hombro, todos pensamos nos compañeiros que este tsunami económico barreu do mercado laboral ou do censo empresarial, e sacrificamos pensando en que co noso esforzo axudamos a equilibar a xustiza social, pero por qué teimamos en darlles as rendas do noso futuro a forzas que se empregan a fondo en que os dividendos de algúns medren desorbitadamente, mentes os máis nos empobrecemos cada día máis.
A empresa na que traballo, tiña aberta no BBVA unha póliza de credito, que a mediados do ano pasado se veu cancelada pola entidade, e reconvertida a crédito con unha taxa de interese de auténtica usura. Recorremos como toda PEME que se prece pedindo axuda ao IGAPE para socitar a súa axuda, e non é que nola negaran, e que levamos ano e medio agardando a que se poñan en contacto connosco, para respostar afirmativa ou negativamente á nosa petición.
Se crea a impresión de que todos os cidadáns temos moitas axudas e moito apoio da administración pero cando tentas botar man dalgunha desas axudas caes na conta de que todo é unha grade cortina de fume.
Non sabes o moito que me alegrou ver o teu nome na prensa asociado á comisión de valoración da fusión das Caixas, ánimo, sei que a voz de moitos e moitas compañeiras farase oir nela
Saúde camarada

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